POLÍTICA DE FINANÇAS E ORGANIZAÇÃO DO FESTIVALE
UMA CONTRIBUIÇÃO DA APACA – ASSOCIAÇÃO DOS PRODUTORES E AGENTES CULTURAIS ATRAVÉS DA ARTE, DE PADRE PARAÍSO/MG
PARTE 4.
POLÍTICA DE FINANÇAS
Finanças para quê? É possível ser DIRETOR da FECAJE sem dedicação exclusiva? Deslocamento, hospedagem.
Contribuição de sócios. É importante ter uma política de sócios, financeira e organizativa. Mas antes é necessário efetivamente possuir associados. É urgente a reestruturação política de sócios da FECAJE. Renovar cadastros, construir metodologias de participação e formulação de metas. Associar entidades com mesmos objetivos da FEDERAÇÃO.
Convênios com prefeituras. É possível legalizar junto à câmaras municipais um convênio com a FECAJE? Conseguir apoio de uma administração é algo quase impossível sem uma automática e incondicional filiação política partidária. É necessário buscar clareza da relação das prefeituras contribuintes com a diretoria e política de ações culturais da federação. Seriam elas, através de seus secretários de cultura, filiados a Federação? Simplesmente repassariam recursos? Este debate precisa ser considerado pelo movimento cultural com a importância que ele tem no momento histórico atual no Vale do Jequitinhonha.
Para tanto, vale um momento para pensar uma lógica política existente em nossa região. A lógica política da república democrática, ainda que burguesa, é a da rotatividade de grupos no poder. Além da natureza de classe desses grupos, existe também o cálculo do oportunismo político partidário/grupal. É oportuno para o meu grupo continuar usando os recursos públicos para meus interesses particulares e falcatruas apoiar o que e quem? No Vale do Jequitinhonha como no Brasil, quem historicamente tem ocupado os governos são as elites proprietárias ou seus representantes. Pior no Vale, onde é raríssimo encontramos elites ilustradas, apreciadoras de produções artísticas. Forte em nossa região, no que se poderia chamar de ação cultural, tem se restringido a reforçar esquemas de pão e circo. Aquela banda bestalóide que no palco e dvd pirata só faz movimentos sexualizados com grunhidos congêneres e que aceita superfaturamento de nota é ótima para embalar a drogadição legalizada do povo. Principalmente a parcela com maior nível de frustração de consumo. As administrações municipais tem verdadeira adoração por estes eventos, ainda que religiosamente são contra as drogas, o homossexualismo e os pobres.
Parcerias com entidades apoiadoras de projetos sociais no Vale do Jequitinhonha. No Vale três são as principais entidades apoiadoras de projetos sociais: FUNDO CRISTÃO, KNH BRASIL e VISÃO MUNDIAL. Mais importante que dialogar com estas entidades é dialogar diretamente com as entidades que elas apoiam nas cidades do Vale. Uma coisa não deve excluir a outra, mas é preciso aproximar mais das entidades locais. O que, por sua vez, exige um projeto político – o que deve ser feito em parceria com e não para estas entidades.
Geração de renda a partir da venda de produtos culturais. A FECAJE seria uma federação ou produtora artística? É possível ser as duas coisas?
Elaboração/Desenvolvimento de projetos que viabilizem também a sustentabilidade da entidade e dos associados. Os produtores e agentes culturais pagam contas em sua vida particular: aluguel, luz, água, telefone, etc. Assim, mais do que nunca, deve-se pensar projetos onde os fazedores culturais, administrativos e artísticos, devam ser remunerados. Chega de volume de otários, ou aparentemente otários.
Parceria com Universidades e outras instituições de ensino e pesquisa. Autalmente já existe uma parceria consolidada com a UFMG através das ações do Polo de Integração do Vale do Jequitinhonha, uma faceta da extensão universitária das instituições públicas. Preciso agora é fortalecer essa parceria. A UFVJM é uma instituição que por estar mais próxima, no Vale, deve ser buscada como parceira. A experiência do movimento cultural muito tem a contribuir com as políticas de extensão da UFVJM, precisamos construir vontade política por parte da administração desta Universidade.
PARTE 5.
ORGANIZAÇÃO DO FESTIVALE.
O FESTIVALE tem sido um lugar de encontro, de aprendizagem, de mostra, de debate, de lúdicas e notívagas catarses afetivo sexuais, tudo amarrado com a alegria da (re)descoberta da arte popular, uma festa que se assume cada vez mais antropofágica.
Contudo, o formato do FESTIVALE precisa ser repensado, experimentado. O debate e a experimentação responsável deve ser o objetivo mais forte das mobilizações culturais nos próximos anos.
É possível realizar um FESTIVALE durante o período escolar? Se realizado nesta data, quais jovens poderão participar? Se por um lado, ao se pensar na cidade sede, percebemos que numa data como esta a comunidade local seria mais facilmente mobilizada, por outro, estaremos desconsiderando uma das questões cruciais: os produtores e agentes culturais da região são em sua maioria ligados à área da educação, sejam jovens estudantes, sejam trabalhadores em educação. Mas neste caso, o debate deve permanecer aberto.
A relação cultural com outras regiões e mesmo com as metrópoles deve ser melhor pensada. A abertura para músicos, escritores e artistas plásticos de outras regiões deve ser executada a sério num movimento antropofágico.
Festivale, direção e produção. A realização o EVENTO FESTIVALE deve ser pensado profissionalmente. A execução, produção do evento deve ser feita:
- Através de uma equipe executora a ser contratada pela Federação, com remuneração especial para produção do evento sob direção da DIRETORIA DA FECAJE.
- Ou por uma produtora de eventos, sob a direção da DIRETORIA DA FECAJE e não pelos diretores da Federação. Ou se pensa no Projeto de captação de recursos a remuneração de um equipe executora ou a contratação de uma produtora.
Os produtores e agentes culturais da cidade sede devem ter oportunidade de participação na organização/execução do evento principalmente através de bolsa de aprendizagem. A remuneração dos jovens agentes e produtores da cidade sede que participarem da organização/execução do evento deve ser considerada como um incentivo à aprendizagem e aquisição de experiência. Não mais é possível esperar que jovens oriundos principalmente de famílias de baixa renda deixes seus subempregos locas para ingressarem na organização/execução do FESTIVALE de forma voluntária.
Os alunos de instituições de ensino que precisam completar as horas acadêmicas devem ser melhor aproveitados no processo de organização/execução do FESTIVALE. Muitos são os estudantes que se apresentam querendo aproveitar o evento como “pagamento” de hora acadêmica. Como inserí-los num processo de ensino aprendizagem na realização do evento?
A celebração do convênio entre a Prefeitura e a Fecaje também poderia definir a liberação de funcionários públicos locais para assumirem atividades administrativas na execução do evento.



