Histórico do Núcleo de Audiovisual
O Núcleo de Audiovisual de Padre Paraíso (NAVIPP) é núcleo de atividades da Associação dos Produtores e Agentes Culturais Através da Arte (APACA) que tem por objetivo a experimentação, fruição, reflexão e produção audiovisual numa perspectiva artística e cidadã. Criado em 2008 através de uma parceria com a Associação Imagem Comunitária (AIC) de Belo Horizonte e a Escola Estadual Professor José Monteiro Fonseca, o NAVIPP tem sido um espaço para jovens da periferia de Padre Paraíso e alunos da referida escola experimentarem a produção audiovisual a partir de práticas e metodologias adquiridas em oficinas e projetos desenvolvidas pela APACA e seus parceiros. No ano de 2009 o programa Polo de Integração da UFMG no Vale do Jequitinhonha, através do projeto Rede de Comunicadores, torna-se um parceiro do NAVIPP agregando mais experimentação metodológica e reflexiva.
O NAVIPP, através da produção dos seus jovens integrantes, sob coordenação de Gildásio Jardim, arte educador da APACA, já produziu vários vídeos, sendo que alguns deles, como listado abaixo, já foram exibidos na TV REDE MINAS, no programa REDE JOVEM DE CIDADANIA, sob responsabilidade da parceira AIC.
No ano de 2011, dois jovens integrantes do NAVIPP, Cleiton Souza e Wagner Teixeira, passaram a multiplicar os conhecimentos em audiovisual com jovens alunos da E E Professor Monteiro Fonseca. Em parceria com o professor de História da Escola, realizaram o projeto INTERCÂMBIO HISTÓRIA E ARTE – uma viagem à bicentenária cidade de Jequitinhonha, que resultou na produção de alguns podcast e um vídeo sob a temática do cinquentenário de Padre Paraíso.
VIDEOS EXIBIDOS NA REDE MINAS.
PLANTIO COLETIVO/BIQUINHA – 11/06/11
FOLIÕES DA GAMELEIRA – 12/05/11
VIDEOS FEITOS PELOS JOVENS DOS NÚCLEOS DE AUDIVISUAL DE PADRE PARAÍSO, ITAOBIM E ARAÇUAÍ, SOBRE O FESTIVAL DE CULTURA POPULAR DO VALE DO JEQUITINHONHA – 27/11/10
VIDEO DO 28ºFESTIVALE CARAVANA E FEIRA DE PADRE PARAÍSO – 09/12/10
POLÍTICA DE FINANÇAS E ORGANIZAÇÃO DO FESTIVALE
UMA CONTRIBUIÇÃO DA APACA – ASSOCIAÇÃO DOS PRODUTORES E AGENTES CULTURAIS ATRAVÉS DA ARTE, DE PADRE PARAÍSO/MG
PARTE 4.
POLÍTICA DE FINANÇAS
Finanças para quê? É possível ser DIRETOR da FECAJE sem dedicação exclusiva? Deslocamento, hospedagem.
Contribuição de sócios. É importante ter uma política de sócios, financeira e organizativa. Mas antes é necessário efetivamente possuir associados. É urgente a reestruturação política de sócios da FECAJE. Renovar cadastros, construir metodologias de participação e formulação de metas. Associar entidades com mesmos objetivos da FEDERAÇÃO.
Convênios com prefeituras. É possível legalizar junto à câmaras municipais um convênio com a FECAJE? Conseguir apoio de uma administração é algo quase impossível sem uma automática e incondicional filiação política partidária. É necessário buscar clareza da relação das prefeituras contribuintes com a diretoria e política de ações culturais da federação. Seriam elas, através de seus secretários de cultura, filiados a Federação? Simplesmente repassariam recursos? Este debate precisa ser considerado pelo movimento cultural com a importância que ele tem no momento histórico atual no Vale do Jequitinhonha.
Para tanto, vale um momento para pensar uma lógica política existente em nossa região. A lógica política da república democrática, ainda que burguesa, é a da rotatividade de grupos no poder. Além da natureza de classe desses grupos, existe também o cálculo do oportunismo político partidário/grupal. É oportuno para o meu grupo continuar usando os recursos públicos para meus interesses particulares e falcatruas apoiar o que e quem? No Vale do Jequitinhonha como no Brasil, quem historicamente tem ocupado os governos são as elites proprietárias ou seus representantes. Pior no Vale, onde é raríssimo encontramos elites ilustradas, apreciadoras de produções artísticas. Forte em nossa região, no que se poderia chamar de ação cultural, tem se restringido a reforçar esquemas de pão e circo. Aquela banda bestalóide que no palco e dvd pirata só faz movimentos sexualizados com grunhidos congêneres e que aceita superfaturamento de nota é ótima para embalar a drogadição legalizada do povo. Principalmente a parcela com maior nível de frustração de consumo. As administrações municipais tem verdadeira adoração por estes eventos, ainda que religiosamente são contra as drogas, o homossexualismo e os pobres.
Parcerias com entidades apoiadoras de projetos sociais no Vale do Jequitinhonha. No Vale três são as principais entidades apoiadoras de projetos sociais: FUNDO CRISTÃO, KNH BRASIL e VISÃO MUNDIAL. Mais importante que dialogar com estas entidades é dialogar diretamente com as entidades que elas apoiam nas cidades do Vale. Uma coisa não deve excluir a outra, mas é preciso aproximar mais das entidades locais. O que, por sua vez, exige um projeto político – o que deve ser feito em parceria com e não para estas entidades.
Geração de renda a partir da venda de produtos culturais. A FECAJE seria uma federação ou produtora artística? É possível ser as duas coisas?
Elaboração/Desenvolvimento de projetos que viabilizem também a sustentabilidade da entidade e dos associados. Os produtores e agentes culturais pagam contas em sua vida particular: aluguel, luz, água, telefone, etc. Assim, mais do que nunca, deve-se pensar projetos onde os fazedores culturais, administrativos e artísticos, devam ser remunerados. Chega de volume de otários, ou aparentemente otários.
Parceria com Universidades e outras instituições de ensino e pesquisa. Autalmente já existe uma parceria consolidada com a UFMG através das ações do Polo de Integração do Vale do Jequitinhonha, uma faceta da extensão universitária das instituições públicas. Preciso agora é fortalecer essa parceria. A UFVJM é uma instituição que por estar mais próxima, no Vale, deve ser buscada como parceira. A experiência do movimento cultural muito tem a contribuir com as políticas de extensão da UFVJM, precisamos construir vontade política por parte da administração desta Universidade.
PARTE 5.
ORGANIZAÇÃO DO FESTIVALE.
O FESTIVALE tem sido um lugar de encontro, de aprendizagem, de mostra, de debate, de lúdicas e notívagas catarses afetivo sexuais, tudo amarrado com a alegria da (re)descoberta da arte popular, uma festa que se assume cada vez mais antropofágica.
Contudo, o formato do FESTIVALE precisa ser repensado, experimentado. O debate e a experimentação responsável deve ser o objetivo mais forte das mobilizações culturais nos próximos anos.
É possível realizar um FESTIVALE durante o período escolar? Se realizado nesta data, quais jovens poderão participar? Se por um lado, ao se pensar na cidade sede, percebemos que numa data como esta a comunidade local seria mais facilmente mobilizada, por outro, estaremos desconsiderando uma das questões cruciais: os produtores e agentes culturais da região são em sua maioria ligados à área da educação, sejam jovens estudantes, sejam trabalhadores em educação. Mas neste caso, o debate deve permanecer aberto.
A relação cultural com outras regiões e mesmo com as metrópoles deve ser melhor pensada. A abertura para músicos, escritores e artistas plásticos de outras regiões deve ser executada a sério num movimento antropofágico.
Festivale, direção e produção. A realização o EVENTO FESTIVALE deve ser pensado profissionalmente. A execução, produção do evento deve ser feita:
- Através de uma equipe executora a ser contratada pela Federação, com remuneração especial para produção do evento sob direção da DIRETORIA DA FECAJE.
- Ou por uma produtora de eventos, sob a direção da DIRETORIA DA FECAJE e não pelos diretores da Federação. Ou se pensa no Projeto de captação de recursos a remuneração de um equipe executora ou a contratação de uma produtora.
Os produtores e agentes culturais da cidade sede devem ter oportunidade de participação na organização/execução do evento principalmente através de bolsa de aprendizagem. A remuneração dos jovens agentes e produtores da cidade sede que participarem da organização/execução do evento deve ser considerada como um incentivo à aprendizagem e aquisição de experiência. Não mais é possível esperar que jovens oriundos principalmente de famílias de baixa renda deixes seus subempregos locas para ingressarem na organização/execução do FESTIVALE de forma voluntária.
Os alunos de instituições de ensino que precisam completar as horas acadêmicas devem ser melhor aproveitados no processo de organização/execução do FESTIVALE. Muitos são os estudantes que se apresentam querendo aproveitar o evento como “pagamento” de hora acadêmica. Como inserí-los num processo de ensino aprendizagem na realização do evento?
A celebração do convênio entre a Prefeitura e a Fecaje também poderia definir a liberação de funcionários públicos locais para assumirem atividades administrativas na execução do evento.
Ensaio Aberto – Murion Cia. de Teatro
MURION CIA DE TEATRO faz neste mês diversos ensaios abertos com o espetáculo “O Leiteiro e A Manina Noite” Direção de Luciano Silveira e Texto de João da Neves.
O debate sobre a FECAJE e Movimento Cultural no Vale do Jequitinhonha
PARTE 1.
O QUE É HOJE O MOVIMENTO CULTURAL NO VALE DO JEQUITINHONHA.
Penso que não é produtivo situar qualquer análise/contribuição sobre o movimento cultural do vale do Jequitinhonha a partir de uma avaliação da atuação da atual diretoria da FECAJE. Não que isso não seja necessário ou válido, mas fazê-lo neste momento é aumentar a poeira da confusão. Urgente, é pensar o que é o chamado movimento cultural do Vale do Jequitinhonha.
O coletivo da APACA participa do FESTIVALE desde o ano de 2006, em Araçuaí. Portanto são 06 anos de vivência do maior encontro do fazer cultural no Vale. Não o único, mas o principal, seja pela capacidade de agregação dos produtores, agentes e entidades culturais, seja pelo espelho que se constitui o evento, o reflexo do que existe de mais organizado e atuante na região do Jequitinhonha.
De um modo geral, esquemático, para efeito de análise, poder-se-ia agrupar o movimento cultural do Vale do Jequitinhonha em duas frentes: uma, a dos que já não moram no vale, representada principalmente pela velha guarda residente em Belo Horizonte, que tem No instituto VALEMAIS a sua entidade mais representativa. Outros agentes e produtores culturais, da velha guarda ou não, residentes em BH ou outras cidades do estado ou país também compõe esta frente, mas eles são dispersos, entrincheiram-se nos bares, palco (como artistas consagrados??), na execução de oficinas ou mesmo em ações voluntariosas em comissões da organização do evento. Vem num FESTIVALE, não vem em outro. Raramente freqüentam as atividades culturais das cidades quando não são remunerados. Mas eles não são menos nem mais, valorativamente, apenas diferenciam-se pelo lugar de onde debatem e formulam soluções para o movimento cultural do Vale. Outra frente é composta pelos agentes e produtores que residem, trabalham e sobrevivem nas cidades do Vale do Jequitinhonha. A maioria está vinculada a entidades: grupos de teatro, corais, associações de artesãos, grupos de cultura popular. Também existem os dispersos, mas proporcionalmente em número menor que os dispersos que não residem no Vale. Entre eles existem até alguns que ocupam cargos públicos nas administrações municipais, principalmente nas secretarias de educação e cultura.
Destas duas frentes emanam discursos diferentes. Da primeira, ouvimos sempre o reverberar da sabedoria experimentada por quem alcançou o progresso da civilização, que está localizada na moderna vida urbana, no contato com as mais (pós) modernas experiências artísticas culturais de organização e empreendimento. Um eco do discurso colonizador a orientar uma prática de fora pra dentro, sem o diálogo com o que está atrasado em termos de organização, resultados, dividendos. Muitas vezes um macaquear das tradições do povo meu lá da roça como cartão de visita para festas e afins. Da segunda frente um discurso insonso, desencorajado, romântico, um apego a uma suposta tradição genuína do povo que sofre mas é criativo, que não precisa abrir a porta para o outro porque via de regra o outro é sempre um explorador, cheio de segundas intenções e… não é do vale. Um discurso de purismo quase religioso a sustentar uma prática desorganizada, indisciplinada, descomprometida com um debate político e estético. Porque subentendido nesse discurso, politicamente, somos coitados, vítimas da ação predadora dos políticos malvados… que dó; esteticamente, chitão, cantigas de roda e folguedos, um excesso anacrônico do mesmo.
Contudo, sabemos que no vai e vem diário existe uma riqueza de posições e interesses que ultrapassa o esquema apontado acima. Mas não se pode negar que tem sido essas duas frentes que tem animado o debate sobre o movimento cultural nos últimos anos no Vale do Jequitinhonha.
A APACA, através de sua diretoria, ao expor esta análise sobre o movimento cultural, propõe um convite para a superação desse esquema defasado, redutor. Propõe, como ponto de partida a antropofagia – no sentido enunciado pelos modernistas brasileiros do início do século XX. Precisamos ser antropofágicos : comer o outro, dar-se a comer, sem purismos e ou falseamento das contradições. Romper com o romantismo e enterrar o colonialismo. Fazer girar a roda dentada da história.
Mas quem será capaz deste ato, sem heroísmos?
Não será um ou dois agentes e ou produtores culturais iluminados que guiarão o movimento cultural para um caminho de sucesso. Abaixo essa verborragia. Mais do que nunca, serão as organizações culturais (entidades), através de seus representantes, a partir de sua experiência local, com debate e organização, a força capaz de formular projetos que se sustentem regionalmente.
PARTE 2.
A FECAJE, ENTIDADE OU FEDERAÇÃO?
Comecemos por entender a questão a partir da realidade objetiva. Atualmente no Vale, como em outras regiões do país, são vários grupos e entidades que acessam recursos públicos para executarem suas atividades culturais e artísticas. Apesar das dificuldades sabidas, suponho que em nenhum outro momento da história do movimento cultural no Vale as entidades tiveram melhores condições de existência e prática cultural. Portanto, vê-se nos últimos anos um fortalecimento relativo do movimento através das suas entidades. Como seria possível uma FECAJE coordenando políticas de fomento, formação e divulgação cultural sem ser um organismo de natureza federada, um órgão que represente entidades?
Mas isso é uma decisão política.
Sendo uma ENTIDADE, a FECAJE assumiria cada vez mais a feição de produtora, de empresa que ofereceria pacotes de reciclagem cultural.
Sendo uma FEDERAÇÃO, a FECAJE assumiria um papel de fórum de elaboração de políticas culturais integradas a serem executadas e parceria com as entidades federadas.
Mas, perguntariam: a FECAJE já não é uma federação. Respondo: talvez. No estatuto, sim. Na prática o caso tem sido diferente: a entidade é hoje uma coisa que não tem forma definida. Serve, desde que acompanhamos o FESTIVALE, como biombo de interesses político partidários, que usam a fragilidade da atual diretoria como instrumento para executar a política de pão e circo.
Vejamos dois exemplos recentes: em Padre Paraíso, apesar de ter sido o movimento cultural da cidade articulado pela APACA o principal responsável pela vinda do FESTIVALE para a cidade, a sua execução se deu sob a tutela dos interesses políticos partidários da atual administração. Em Jequitinhonha a situação foi mais escandalosa: sem recursos, sem articulação política junto ao movimento, a atual diretoria se rendeu aos interesses da administração municipal: realizou-se um evento sem o mínimo de estrutura, apenas para compor as festividades de um projeto megalomaníaco de comemoração de um suposto bicentenário. Bicentenário de quê?
PARTE 3.
FAZER O QUÊ?
Debater.
Articular.
As entidades e produtores culturais que propõe uma ação integrada regionalmente, que politicamente se posicionam com fazedor de cultura popular, devem promover encontros. Articular com quem compreende que no processo cultural o mais importante é o povo, não o produto. Pois sem moradia, terra, renda, educação de qualidade, o povo é frágil instrumento nas mãos dos colonizadores, coronéis de gravatas, instituições pseudo “culturais”.
A eleição da nova diretoria da FECAJE pode e deve potencializar esse debate, as articulações – via internet, telefone, fumaça, tambores, cartas, recados e principalmente, encontros presenciais.
A APACA se põe à disposição.
Menos pão e circo, mais dignidade: a arte é um instrumento de humanização do homem.
Armando Ribeiro - Presidente da APACA



