Histórico
A Associação dos Produtores e Agentes Culturais – APACA – surge como intenção e prática coletiva no ambiente cultural artístico e literário de Padre Paraíso a partir do ano de 2002. Um grupo de jovens que neste mesmo ano havia iniciado um trabalho com teatro, identificando-se pelo nome de grupo de teatro FAZ DE CONTA, sente a necessidade de criar uma organização sistemática capaz de viabilizar uma intervenção na cultura local que possibilitasse a realização de atividades de promoção e formação cultural, artística e literária. Como espaço catalizador dessa intenção, com grande possibilidade de agregação de novas pessoas identificadas com a idéia, foi formulada a proposta de realização do SARAU, um espaço de fruição artístico literária, quando seria distribuído um fanzine de nome O BAGULHO, uma produção mimeografada. A proposta do encontro e do fanzine foi levada à prática e tornou-se, sempre que lua cheia, mediante a capacidade organizativa do coletivo, um instrumento de agregação, divulgação e formulação da idéia de se criar um coletivo com vida organizada capaz de sustentar espiritual e materialmente os produtores e agente culturais de Padre Paraíso numa ação que buscasse a promoção e o fortalecimento de ações artístico literárias.
No primeiro semestre de 2006 o grupo de teatro FAZ DE CONTA, após montar e estrear o espetáculo teatral Insensatez, se vê em dificuldades uma vez que o espaço utilizado para encontros, oficinas e ensaios é objeto de uma demanda judicial entre a Igreja Católica (proprietária) e a Prefeitura Municipal (que requeria o espaço para construção de um mercado municipal). O espaço, antigo e abandonado centro juvenil da Igreja Católica, que era denominado pela população como “campinho” foi na ocasião demolido pela prefeitura, ficando o grupo de teatro sem local para suas atividades e assim, vítima dessa ação e de nenhum apoio do poder público local, encerrando suas atividades. Mas o grupo de jovens em torno da idéia da associação não esmoreceu nas suas intenções e práticas, continuou realizando o sarau e publicando o “O Bagulho”.
Em julho de 2003 o coletivo pró associação, em nome de um trabalho que vinha sendo iniciado e mediante o reconhecimento do FESTIVALE – Festival de Cultura Popular do Vale do Jequitinhonha – como um espaço privilegiado na região de formação e vivência artístico cultural, elabora um projeto que envia à Camara Municipal de Padre Paraíso, ao presidente da casa, solicitando ajuda material para que integrantes do coletivo participassem do 22º Festivale, na cidade de Medina/MG.
Em agosto de 2003, após retornar do 22º Festivale, com a motivação alimentada pela energia do maior evento de cultura popular no baixo e médio Jequitinhonha, os produtores e agentes culturais organizaram uma reunião onde era proposta discutir as concepções, objetivos e possibilidades de se criar a associação – que na ocasião deveria ser denominada de PACA – Produtores e Agentes Culturais Associados. A reunião é realizada com sucesso. É feito o debate mas as ações de registro formal se perdem diante das dificuldades pessoais e coletivas dos produtores e agentes culturais. Mas as atividades práticas continuam, ainda que esparças.
No ano de 2005, quando inicia uma nova administração do poder público municipal, o coletivo pró associação reconhecendo uma oportunidade de avançar na organização das intervenções culturais no município apresenta aos novos administradores, o poder executivo, um projeto de seminário para discutir as “Políticas públicas para a cultura”. A proposta não é encampada pela nova administração e não tem possibilidade de realização. Mas inicia o reconhecimento da existência do coletivo de intervenção cultural e artística que se denominava PACA e em julho do mesmo ano esse coletivo é convidado pelo poder público local para participar da organização do I INTERCÂMBIO CULTURAL ENTRE PADRE PARAÍSO/MG e EMBU DAS ARTES/SP. O evento foi um marco das ações culturais desenvolvidas no município. Uma equipe de artistas da cidade de Embú, liderada pela ceramista Tônia do Embu, realizaram oficinas e debates – na ocasião foi realizado o seminário – que muito contribuíram para o crescimento das perspectivas de atuação dos artesãos, artistas e agentes culturais do município de Padre Paraíso.
Após a realização do Intercâmbio cultural entre os sujeitos da cultura das duas cidades, em Padre Paraíso, o coletivo da PACA agrega novas pessoas e fortalece a idéia da associação. A partir de então é formulada uma nova proposta de publicação de fanzine, agora com o nome de MOCORORÔ, no conteúdo que se publicava agregava discussões de concepções de política cultural do coletivo, além das intervenções poético literárias.
Os saraus realizados pelo coletivo ampliam e obtém reconhecimento do poder público e população do município.
Em Janeiro de 2006 é realizado uma assembléia de criação da PACA, com aprovação de estatuto e eleição de uma diretoria. Contudo, mais uma vez, a prática vai sobrepor à formalidade. O coletivo continua atuante na realização de saraus, encontros, mas não consegue viabilizar a formalização jurídica.
Num crescendo, o coletivo se organiza para participar, em 2006, do 24º Festivale, em Araçuaí/MG. A participação do coletivo é viabilizada mediante parceria com a prefeitura municipal, através do prefeito e da secretaria de educação e cultura. Nesse Festivale os artesãos e artistas do coletivo participam da exposição de artesanato organizada no evento.
No ano seguinte, 2007, o coletivo dá um passo decisivo na formalização da sua atuação. Com mais maturidade e conhecimento inicia o processo de formalização com assembléia, aprovação de novo estatuto, com maior alcance de ação cultural, eleição de nova diretoria e mudança de nome: a associação se denominaria APACA – Associação dos Produtores e Agentes Culturais Através da Arte. Mas as atividades cotidianas dos diretores, a dificuldade de recursos adia o reconhecimento em cartório para o ano de 2008, no mês de maio. Na ocasião é realizado um sarau especial com o nome de SARAU REGISTRADO E CARIMBADO, momento de coroação jurídica de uma caminhada prática do tamanho dos nossos sonhos.
No mesmo ano de 2007 o coletivo participa do 25º Festivale em Joaíma/MG, e já com reconhecimento regional, apresenta o nome da cidade de Padre Paraíso para sediar o Festivale em 2008. Também oferece-se como anfitrião da avaliação do 25º Festivale, evento que acontereria em setembro do mesmo ano. A realização do evento da avaliação do 25º Festivale em Padre Paraíso, foi uma ocasião de mobilização de agentes e produtores culturais locais, bem como de fortalecimento da idéia da associação. Durante a Avaliação do 25º Festivale a APACA em parceria com outros agentes culturais consegue formatar e oferecer aos jovens da cidade 02 oficinas (Brinqueidos e brincadeiras e Confecção de fanzine) e realizar uma mostra do artesanato produzido na cidade. Em dezembro de 2007 foi mobilizada a comunidade de Padre Paraíso para discutir a viabilidade da realização do 26º festivale na cidade no ano de 2008. Em reunião com a participação de agentes e produtores culturais da cidade, representantes do poder público local, onde foi considerada a dificuldade de se realizar um evento do porte do Festivale em ano eleitoral, quando ficou definido o adiamento da candidatura da cidade. Mais uma vez a APACA sai fortalecida como instituição mobilizadora, articuladora e realizadora da cultura local.
No ano de 2008, no mês de junho, em parceria com a Prefeitura Municipal, a APACA realiza a MOSTRA DE TEATRO POPULAR, com participação de 02 grupos teatrais de Padre Paraíso e 04 grupos de cidades vizinhas: Itaobim, Medina, Araçuaí e Jequitinhonha. Em Julho do mesmo ano a APACA, em parceria com a Prefeitura Municipal, mobiliza 45 agentes e produtores culturais do município para participar do 26º Festivale realizado em Capelinha. No evento, Padre Paraíso é o município com maior participação de agentes e produtores culturais; participação em oficinas formativas e na exposição de artesanato.



